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9 de junho de 2024

Donald 90 Anos

Qual foi o primeiro nome do Donald no Brasil? Veja aqui essa e outras curiosidades sobre o pato mais famoso do mundo, que completa exatamente hoje 90 anos de sua primeira aparição oficial, em 9 de junho de 1934, no curta de animação A Galinha Esperta.


O Pato Donald estreou oficialmente em 9 de junho de 1934 num curta de animação da série Sinfonias IngênuasA Galinha Esperta (The Wise Little Hen, direção de Wilfred Jackson) — que só chegaria aos cinemas brasileiros em 23 de junho de 1937.


 

Mas o personagem já era uma ideia na cabeça de Walt Disney: como se vê acima, um certo "Donald Duck" já havia sido citado em dois livros ilustrados de 1931 e 1932. Os patos lá mostrados são bem diferentes, no entanto, da figura final do Donald. Além disso, tais livros traziam diversos animais, como corujas, coelhos, galinhas, perus... o pato, ali, era apenas mais um.

◼ AS ANIMAÇÕES


Nos anos 1930, a Disney produzia, além dos desenhos musicais Sinfonias Ingênuas (Silly Symphonies, no original), a série de curtas Mickey Mouse. E Walt Disney, temendo o esgotamento de gags com o camundongo, pensou em introduzir mais um personagem marcante nessa turma, que já contava com Pateta, além de Pluto, Minnie, Clarabela e Horácio.



Foi quando ouviu 
um certo Clarence Nash recitar Mary Had a Little Lamb naquela voz peculiar e decidiu contratá-lo para dublar um pato encrenqueiro em dois curtas: A Galinha Esperta e Em Benefício dos Órfãos (imagem acima). Nash foi dublador do pato por toda a vida. E treinou Tony Anselmo, que o sucedeu em 1985.



Em 1936, Donald, após aparecer em vários cartoons do Mickey, ganha sua própria série. E ele acabou estrelando 128 curtas, mais do que qualquer outro astro Disney, sem contar as participações que continuaram ocorrendo nos cartoons do Mickey. 
Margarida (a princípio chamada de Donna) e o carrinho vermelho (que depois receberia a placa 313) estreiam no início de 1937 no curta Dom Donald (imagem acima).



Donald Fauntleroy Duck: este é seu nome completo, revelado em Donald Gets Drafted, de 1942.



Falando em cinema e em 1942: em agosto daquele ano, Donald apresentava Zé Carioca para o mundo, em Alô Amigos. E, naquela época, participou de segmentos de vários Clássicos Disney, como Mickey e o Pé de Feijão (do longa-metragem Como É Bom se Divertir, 1947).



Bem mais tarde, Donald voltaria às telonas em Uma Cilada para Roger Rabbit (1988; acima, duelando com Patolino, da Warner Bros.) e Fantasia 2000 (de 1999, no segmento Pompa e Circunstância, ao lado de Margarida).



No cartoon The Spirit of ‘43, Donald encontra um velho pato escocês de suíças, óculos e bengala que fala muito de dinheiro. Seu nome nunca é citado, mas é evidente que Carl Barks reaproveitou essa figura quase cinco anos depois para criar o quaquilionário Tio Patinhas, na HQ Natal nas Montanhas.



1959: Donald aparece casado com a Margarida e com um filhinho em How To Have An Accident At Work. Mesmo ano do extraordinário curta didático Donald no País da Matemágica.

◼ AS TIRAS DE JORNAL


Em setembro de 1934, Donald estreia nas HQs, nas páginas dominicais coloridas dos jornais, sempre desenhado por Al Taliaferro, o artista americano que desenvolveu o personagem e criou seu universo para os quadrinhos, muitas vezes com a colaboração do roteirista Bob Karp.



Essa HQ de estreia é uma espécie de continuação do curta A Galinha Esperta. No Brasil, ela foi publicada em SUPLEMENTO JUVENIL #312 (Grande Consórcio Suplementos Nacionais, Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 1936). Depois, renomeada de A Galinha Sábia e devidamente colorida, foi republicada em vários gibis, começando por PATO DONALD #1500 (Editora Abril, 11 de agosto de 1980).



Repare que Donald foi então batizado de Pato Fernandinho. Na mesma publicação, na página seguinte, ele é chamado de "Don" Fernandinho.



A partir de agosto de 1936, Taliaferro começa a discutir o comportamento de Donald à vista do leitor: Clarabela o aconselha a controlar seu temperamento explosivo e comportamento imaturo. E aí o pato ganha casa, carro, pets, vizinhos, responsabilidades e... os sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho, que surgem em 17 de outubro de 1937.



Taliaferro desenharia as tiras do Donald para os jornais até morrer, em 1969. São nelas que surgem personagens como a Vovó Donalda e o vizinho J. Jones (que parece ter evoluído para o encrenqueiro Silva nas HQs de Barks). Também são nessas tiras que são citados tios e primos do pato, além de terem sido incorporadas muitas criações das animações, como a Margarida, o carro 313, o primo Gansolino, o tio excêntrico Prof. Ludovico e os pets Bolívar e Basil, entre outros. 
Em 1963, Taliaferro e Karp receberam das mãos do próprio Walt Disney o “Duckster”, um troféu dedicado aos “proeminentes criadores da Família Pato”. Em 2003, entrou para a seleta galeria dos quadrinistas honrados com o título de “Disney Legend”.

◼ SURGEM OS GIBIS


Nos anos 1940, a editora americana Dell começa a produzir HQs para publicação exclusiva nos gibis, que até então só traziam compilações das tiras de jornal. Em outubro de 1942, Donald ganha seu próprio gibi, recheado de clássicos instantâneos criados pelo artista americano Carl Barks, que transforma o pato num aventureiro.



A propósito... Você já se perguntou por que a jaqueta do Donald é costumeiramente preta nas HQs, se ela é azul nas capas dos gibis? Bem, isso teve origem nas primeiras revistas em quadrinhos americanas, que a princípio apenas reproduziam as tiras de jornal em preto e branco desenhadas por Taliaferro. Decidiu-se, a fim de se estabelecer um padrão, que a roupa do Donald seria preta mesmo quando a HQ fosse colorida.



Entre 1948 e 1952, Donald ganha revista em vários países da Europa, com destaque para os países nórdicos e Holanda, onde circulam até hoje, semanalmente, beirando as 4 mil edições lançadas.

A Egmont, na Dinamarca, produz as histórias que são destaque nos países nórdicos. Essas HQs também saem na Itália, no Brasil e nos EUA, por exemplo.

A Holanda também produz boa parte das HQs que publica. Curiosamente, Zé Carioca é bastante popular por lá, onde suas histórias continuam sendo criadas até hoje.



Donald também faz sucesso nos gibis "Mickey Mouse" publicados, por exemplo, na Alemanha, França, Grécia e... na China — onde este mês ele acaba de ganhar capa celebrando os 90 anos.



Sem falar da Itália, que é a maior produtora e provedora de HQs Disney no momento. Lá, o universo dos quadrinhos Disney foi enriquecido com muitos personagens criados pelos artistas italianos. Um bom exemplo é Superpato, o alter ego heroico do Donald criado em 1969.

◼ DONALD NOS GIBIS DO BRASIL


A primeira HQ Disney, Mickey na Ilha Misteriosa, uma sequência de tiras de jornal, foi publicada nos EUA no início de 1930. E saiu no Brasil naquele mesmo ano, na revista O TICO-TICO. A partir daí, as tiras passaram a ser publicadas em revistas e suplementos de quadrinhos variados (GIBI, MIRIM, O GURY, GLOBO JUVENIL, BIRIBA...)



O ítalo-americano Cesar Civita adquire os direitos de publicação de revistas Disney em toda a América Latina. Em 18 de julho de 1944, ele lança na Argentina EL PATO DONALD, pela Editorial Abril...



...E, em 1946, licencia as HQs Disney para a Editora Brasil-América, Ebal, que lança o gibi SELEÇÕES COLORIDAS. É a primeira vez que saem no Brasil quadrinhos Disney produzidos especialmente para revistas, com destaque para as obras de Carl Barks.



Mas Cesar tinha planos maiores: ele chama seu irmão Victor Civita para se estabelecer no Brasil, em São Paulo, e fundar uma editora. Surge a editora Primavera, que em maio de 1950 publica RAIO VERMELHO. Em seguida, já sob nome de Editora Abril, é lançada em 11 de julho de 1950 O PATO DONALD, a primeira revista periódica brasileira exclusivamente dedicada às HQs Disney. 



A Editora Abril registra que a edição de estreia teve uma tiragem de 82.370 exemplares. O gibi continua em circulação até hoje, com mais de 1.900 edições lançadas. São, portanto, 74 anos de publicação. Talvez seja a mais antiga revista ainda em circulação no Brasil, e certamente é o gibi de publicação mais longeva, mesmo considerando as grandes revistas em quadrinhos que já saíram de cena.

◼ DONALD NA TELEVISÃO E MAIS


Donald estrelou seriados como
TV Quack (1996) e As Aventuras de Mickey e Donald (2000). Também participou de sucessos como DuckTales (2017) e da série Mickey Mouse (2013), além de ser figura constante em várias produções infantis do Disney Channel. Em 2018, Donald voltou a se reunir com Zé Carioca e Panchito no seriado A Lenda dos Três Cavaleiros.

Nos games, o destaque fica para Kingdom Hearts (2002), que também foi adaptado com sucesso para uma série de mangás.

E, na era do home-video, Donald estrelou Os Três Mosqueteiros (2004) ao lado de Mickey e Pateta.

◼ EVENTO COMEMORATIVO


Na última sexta-feira, 7 de junho, a Disney reuniu em sua sede em São Paulo Moacir Rodrigues, um dos maiores artistas disneyanos do mundo; Paulo Maffia, 
editor-chefe da Culturama, que publica revistas em quadrinhos e livros da Disney no Brasil; José Rivaldo Ribeiro, colecionador de quadrinhos, responsável pela loja virtual Planeta Gibi e tradutor das HQs Disney da Culturama; e Edenilson Rodrigues-Lazaro, o editor deste blog, também colecionador e pesquisador de HQs e tradutor de quadrinhos Disney; para contarem a trajetória do Pato Donald, sobretudo editorial, a uma plateia de jornalistas e entusiastas de cultura pop.



No evento, também foram exibidos curtas de animação do Donald, e o encerramento foi especial e muito divertido: com a plateia devidamente munida de lápis e papel, Moacir ensinou todos a desenharem, passo a passo, o pato mais famoso do mundo. Alguns convidados se surpreenderam com suas próprias habilidades no desenho, por sinal!

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★ Fonte: Acervo e Banco de Dados Planeta Gibi. Fotos: Disney.
★ Reprodução de artes e fotogramas: para fins de divulgação. Artes e personagens são de propriedade de seus criadores/licenciadores. 
★ Dúvidas e sugestões: escreva para o editor do Planeta Gibi Blog.
★ Publicado originalmente em 9/6/2024.
★ Atualizado pela última vez em 9/6/2024.
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6 comentários:

  1. Pode parecer bobagem felicitar um personagem de ficção, mas o Donald é um amigo há mais de 40 anos. Parabéns ao maior personagem Disney.

    (Pena que a editora que detém os direitos de publicação do personagem no Brasil fingiu que essa data não existiu).

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  2. Sempre aguardei essas comemorações de decênio por conta das edições especiais, principalmente por ter acompanhado o lançamento da edição de 70 anos, em 2004, e por ter sido bastante difícil para meu pai adquirir essa edição. Adquiri já com meu próprio dinheiro a edição de 80 anos, aquele capa dura azul lindo demais, bastante especial por ser um dos primeiros Disney Capa dura daquela nova leva da Abril. Vale citar as várias edições de 85 anos, álbum de figurinhas, edição 3 da culturama especial, capa dura do Donald Jovem livro de histórias e uma edição de Onde está o Donald. Bem recheado. Para esses 90 anos, esperava uma edição tão legal quanto a de 80 anos. Estamos a ver navios, mas era esperar muito. Não consigo nem encontrar pra comprar direito as últimas mensais, quanto mais esperar uma edição especial comemorativa. Uma pena, realmente o Brasil ter deixado essa data passar em branco.

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  3. Quem teve a oportunidade de comprar as três edições de Anos de Ouro do Pato Donald (onde foram reunidas as vinte e uma primeiras revistas em formato maior), publicadas pela editora Abril em 1988, poderá conferir que boa parte dos personagens Disney inicialmente tiveram nomes diferentes das que conhecemos hoje. Os sobrinhos do Donald eram chamados de Tico, Chico, Quincas era chamado de amigo coelho, Lobinho era conhecido como "o pequeno lobo feroz", João Honesto e Zé Grandão
    respectivamente como compadre urso e raposa. O Pateta era chamado de Dippy. Pelo fato da editora Culturama ser pequena, dificilmente lançará edições comemorativas tal qual fazia a editora Abril. Infelizmente a Culturama, não tem estrutura para isso.

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    1. Batismos: sim, listamos vários (e reproduzindo o quadrinho em que aparecem) em MELHOR DA DISNEY BRASIL (Abril, 2018) e, de HZL, no DISNEY DE LUXO HZL 80 anos.

      Edições comemorativas: a linha collector é da Panini. Só ela pode lançar isso.

      Abs. Edenilson

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  4. Ainda hoje guardo com muito carinho e cuidado o "pacote" dos 50 anos, que continha uma reprodução da revista número 1, uma máscara, um álbum de figurinhas, além da revista comemorativa em formatinho com umas páginas internas em papel offset. Lembro que tive que entregar jornais por um bom tempo para conseguir o dinheiro.
    O álbum completei algum tempo depois, quando a Abril o revendeu com todas as figurinhas incluídas. Lembro
    Era outra época, sem dúvida, com muitos mais leitores, com trocas de gibis realizadas no recreio do colégio. Acredito que hoje é difícil e inviável economicamente um lançamento semelhante ou mesmo comemorativo. Se fosse fácil e vendesse bem, com certeza a Culturama, uma empresa privada, o faria.
    Infelizmente passou em branco para os leitores, com apenas uma celebração entre editores e representantes. Uma lástima.

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    1. Também tenho o meu kit. Muito bacana. Quanto aos dias de hoje: edição comemorativa = linha collector = Panini. Abs. Edenilson.

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